Blog de cronicas e poesias por Rita Seda Pinto.
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- Rita Seda Pinto
- Santa Rita do Sapucai, MG, Brazil
- Esposa, mãe, avó e bisavó. Sou muito família. Aprecio leitura e música. Gosto de ter amigos e conversar. Especialmente com Deus.
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Diante do presépio
Neste tempo em que tudo sugere Natal para nós que cremos, estou postando umas considerações sobre o presépio. Depois de ler coloque as suas também... Obrigada!
Diante do presépio
Rita Seda
De quê fala o presépio para você?
Se pudéssemos assentar e conversar, quantas imagens diferentes, porém todas igualmente belas, brotariam...
Uns falariam do Menino Deus que veio ao mundo para nos salvar.
Outros lembrariam a enormidade do amor de Deus ao enviar seu filho ao mundo (Jo3,16 ), em missão tão grandiosa, mas que começa com tamanha singeleza... Cá pra nós, não poderia ter passado menos provações? Até o verso mais conhecido e cantado no natal, diz: “pobrezinho nasceu em Belém”.
São Francisco de Assis, na Itália, entre as montanhas de Greccio, no ano de 1223, por muito amar “o amor que não é amado”, num feliz arroubo, realizou com figuras reais, a primeira representação do presépio. Uma gruta ornamentada com palha, feno, ervas e plantas, iluminada com candeias de azeite, serviu para lembrar a bíblica lapa de Belém. Naquele local, à meia noite, iluminados por tochas, os camponeses participaram da Santa Missa de Natal, com homilia do “poverello” (assim se denominava Frei Francisco: “o pobrezinho”...).Dizem que pela sua santidade, veio o Menino colocar-se em seu colo à meia noite. Que presente! Um jumento e um boi, animais que, com seu bafo aqueceram Jesus, estavam presentes. Segundo o profeta Isaias esses animais definem a indiferença dos homens perante o acontecimento divino. O presépio de São Francisco passou a outras regiões da Itália e espalhou-se pelo mundo.
Outros lembrariam com carinho a Virgem Maria, agraciada com a sublime e terna missão de trazer ao mundo e cuidar do Salvador. E os anjos, essas figuras celestes que vieram dar a notícia aos pastores e dar glórias ao Senhor? São José, os Reis Magos, são parte integrante e bastante importantes na lapinha...
Quanto e que maravilhas teríamos a refletir!
Mas, eu vou lhes confessar: o verdadeiro sentido do presépio, custou a me alcançar. Quando menina, havia o sagrado costume de visitar sete presépios, em sete diferentes casas, rezar e depositar uma ou duas moedinhas. E era inevitável que se comparasse uns com os outros... Aquele tem uma relva de um verde tão brilhante,nem parece arroz, plantado há poucos dias! Aquele outro tem um lago feito de espelho, com dona pata e os patinhos de celuloide, tão perfeitos que parecem de verdade! E aquele que tem monjolo movido a água, de verdade? Viram o galo em cima da gruta? Por que será o galo? _Bem, vamos indagar! E por sobre as raspas de madeira, as barbas de pau, serpenteavam os caminhos por onde, no dia 6 de janeiro, chegariam os três reis. Achavam-se cada dia mais perto do Menino, pelas mãos espertas das mamães...Os carneirinhos pastavam por toda a área, sempre acompanhados dos pastores. Meus olhos se entretinham mais com o pastor que tocava a flauta. Parecia ouvir a melodia!
Não sei quanto tempo durou o fascínio. Naquele tempo imaginava que o povo mau não recebera Jesus Menino; me indignava! mas como era romântico! Se não fosse assim, como teríamos o presépio?
Também nem sei quando é que percebi o verdadeiro sentido do presépio. Quando é que a pobreza que eu ali chorava se transformou em lição de simplicidade. Em manifestação da sua cumplicidade com os humildes da terra, que, às vezes, só após nascidos, ganham por caridade, um modesto enxovalzinho da dona Maria, que por sua vez, arrecada com as colegas as peças
umas novas, outras usadas e as vai doando aos recem-nascidos Jesuscristinhos. Por que mãe pobre tem tantos filhos?
Sei não, mas muitas vezes acho que esse menininho sabido, quer é começar a salvar o povo a partir da lapinha, de onde apela por um leito fofo em cada coração! Já pensamos nisso?
Diante do presépio
Rita Seda
De quê fala o presépio para você?
Se pudéssemos assentar e conversar, quantas imagens diferentes, porém todas igualmente belas, brotariam...
Uns falariam do Menino Deus que veio ao mundo para nos salvar.
Outros lembrariam a enormidade do amor de Deus ao enviar seu filho ao mundo (Jo3,16 ), em missão tão grandiosa, mas que começa com tamanha singeleza... Cá pra nós, não poderia ter passado menos provações? Até o verso mais conhecido e cantado no natal, diz: “pobrezinho nasceu em Belém”.
São Francisco de Assis, na Itália, entre as montanhas de Greccio, no ano de 1223, por muito amar “o amor que não é amado”, num feliz arroubo, realizou com figuras reais, a primeira representação do presépio. Uma gruta ornamentada com palha, feno, ervas e plantas, iluminada com candeias de azeite, serviu para lembrar a bíblica lapa de Belém. Naquele local, à meia noite, iluminados por tochas, os camponeses participaram da Santa Missa de Natal, com homilia do “poverello” (assim se denominava Frei Francisco: “o pobrezinho”...).Dizem que pela sua santidade, veio o Menino colocar-se em seu colo à meia noite. Que presente! Um jumento e um boi, animais que, com seu bafo aqueceram Jesus, estavam presentes. Segundo o profeta Isaias esses animais definem a indiferença dos homens perante o acontecimento divino. O presépio de São Francisco passou a outras regiões da Itália e espalhou-se pelo mundo.
Outros lembrariam com carinho a Virgem Maria, agraciada com a sublime e terna missão de trazer ao mundo e cuidar do Salvador. E os anjos, essas figuras celestes que vieram dar a notícia aos pastores e dar glórias ao Senhor? São José, os Reis Magos, são parte integrante e bastante importantes na lapinha...
Quanto e que maravilhas teríamos a refletir!
Mas, eu vou lhes confessar: o verdadeiro sentido do presépio, custou a me alcançar. Quando menina, havia o sagrado costume de visitar sete presépios, em sete diferentes casas, rezar e depositar uma ou duas moedinhas. E era inevitável que se comparasse uns com os outros... Aquele tem uma relva de um verde tão brilhante,nem parece arroz, plantado há poucos dias! Aquele outro tem um lago feito de espelho, com dona pata e os patinhos de celuloide, tão perfeitos que parecem de verdade! E aquele que tem monjolo movido a água, de verdade? Viram o galo em cima da gruta? Por que será o galo? _Bem, vamos indagar! E por sobre as raspas de madeira, as barbas de pau, serpenteavam os caminhos por onde, no dia 6 de janeiro, chegariam os três reis. Achavam-se cada dia mais perto do Menino, pelas mãos espertas das mamães...Os carneirinhos pastavam por toda a área, sempre acompanhados dos pastores. Meus olhos se entretinham mais com o pastor que tocava a flauta. Parecia ouvir a melodia!
Não sei quanto tempo durou o fascínio. Naquele tempo imaginava que o povo mau não recebera Jesus Menino; me indignava! mas como era romântico! Se não fosse assim, como teríamos o presépio?
Também nem sei quando é que percebi o verdadeiro sentido do presépio. Quando é que a pobreza que eu ali chorava se transformou em lição de simplicidade. Em manifestação da sua cumplicidade com os humildes da terra, que, às vezes, só após nascidos, ganham por caridade, um modesto enxovalzinho da dona Maria, que por sua vez, arrecada com as colegas as peças
umas novas, outras usadas e as vai doando aos recem-nascidos Jesuscristinhos. Por que mãe pobre tem tantos filhos?
Sei não, mas muitas vezes acho que esse menininho sabido, quer é começar a salvar o povo a partir da lapinha, de onde apela por um leito fofo em cada coração! Já pensamos nisso?
Cascavel caso verídico
Cascavel
Rita Seda
Fomos visitar um amigo que se encontrava doente e conhecemos um senhor que também o visitava. Devia ter uns sessenta anos, cabelos grisalhos, fortinho de corpo. Conversa vai, conversa vem, contou-nos que há alguns anos foi picado por uma cascavel. Tem um sítio, onde faz plantações de milho, mandioca, frutas, hortaliças, legumes. Certo dia, calçou seu sapatão de couro, enxada ao ombro, foi capinar o mandiocal. Sabia, é claro, que as cobras gostam muito dali, principalmente quando o mato está alto...conforme estava. Sempre foi muito corajoso, sempre fez a capina nesse local, não estava nem preocupado com cobra. É isso que dá!Não havia dado meia dúzia de enxadadas, sentiu a picada logo acima do sapatão. Olhou para a perna e lá estava, pendurada, a danada! Sua reação primeira foi balançar a perna na tentativa de expulsá-la. Para seu espanto a danada não arredou dali antes que esgotasse todo seu veneno! Caiu e ficou estirada no chão como se fosse um pedaço de bambu. Sem se mexer...Disse ele que chegara sua vez: com a lâmina da enxada matou-a de um só golpe e colocou-a em um balde. Isso feito, saiu a contar à esposa o ocorrido, pediu-lhe que ficasse com as crianças e rezasse para que ele voltasse vivo. Entrou no Fusca, com balde e cascavel.
Passou na casa do compadre Juca, contou-lhe o acontecido e este já entrou no carrinho para acompanhá-lo até o Hospital mais próximo. Como não havia o soro antiofídico, saíram rapidamente para outra cidade, distante vinte e cinco quilômetros.
O compadre queria dirigir, mas ele teimosamente, já sentindo a vista fraca, continuou firme na direção.
No hospital foi logo atendido, colocado na cama e o médico perguntou:
-Tem certeza que é cascavel?
Ao que ele ainda respondeu:
-Veja o senhor mesmo o que o compadre Juca tem ali naquele balde.
E perdeu os sentidos. Disseram-lhe que acordou quatro dias depois. Ao abrir os olhos viu umas bonequinhas de branco andando pelo quarto, conversando como gente grande... Mas tinham um palmo, se tanto! Quando se sentiu capaz de soltar a voz, perguntou:
- Que bonequinhas são essas de branco por aqui?
- Ora, somos enfermeiras, cuidamos dos doentes como o senhor.
Lembrou-se então da vista turva, da cascavel e adormeceu pensando que nunca mais veria as pessoas normalmente.
Terminou o relato dizendo que ainda precisou de tempo para recuperar a visão. Ficou com alguma seqüela, enxerga menos, mas ainda trabalha a terra. No entanto, se depender dele, mandioca ninguém come! O mandiocal? Soltou as vacas para acabar com ele, mas acabou foi com uma de suas melhores leiteiras... picada por uma cascavel. Que desperdício! Ainda hoje chora a perda. Mas termina a narrativa, entusiasmado:
-Antes a vaca do que eu, né?
Rita Seda
Fomos visitar um amigo que se encontrava doente e conhecemos um senhor que também o visitava. Devia ter uns sessenta anos, cabelos grisalhos, fortinho de corpo. Conversa vai, conversa vem, contou-nos que há alguns anos foi picado por uma cascavel. Tem um sítio, onde faz plantações de milho, mandioca, frutas, hortaliças, legumes. Certo dia, calçou seu sapatão de couro, enxada ao ombro, foi capinar o mandiocal. Sabia, é claro, que as cobras gostam muito dali, principalmente quando o mato está alto...conforme estava. Sempre foi muito corajoso, sempre fez a capina nesse local, não estava nem preocupado com cobra. É isso que dá!Não havia dado meia dúzia de enxadadas, sentiu a picada logo acima do sapatão. Olhou para a perna e lá estava, pendurada, a danada! Sua reação primeira foi balançar a perna na tentativa de expulsá-la. Para seu espanto a danada não arredou dali antes que esgotasse todo seu veneno! Caiu e ficou estirada no chão como se fosse um pedaço de bambu. Sem se mexer...Disse ele que chegara sua vez: com a lâmina da enxada matou-a de um só golpe e colocou-a em um balde. Isso feito, saiu a contar à esposa o ocorrido, pediu-lhe que ficasse com as crianças e rezasse para que ele voltasse vivo. Entrou no Fusca, com balde e cascavel.
Passou na casa do compadre Juca, contou-lhe o acontecido e este já entrou no carrinho para acompanhá-lo até o Hospital mais próximo. Como não havia o soro antiofídico, saíram rapidamente para outra cidade, distante vinte e cinco quilômetros.
O compadre queria dirigir, mas ele teimosamente, já sentindo a vista fraca, continuou firme na direção.
No hospital foi logo atendido, colocado na cama e o médico perguntou:
-Tem certeza que é cascavel?
Ao que ele ainda respondeu:
-Veja o senhor mesmo o que o compadre Juca tem ali naquele balde.
E perdeu os sentidos. Disseram-lhe que acordou quatro dias depois. Ao abrir os olhos viu umas bonequinhas de branco andando pelo quarto, conversando como gente grande... Mas tinham um palmo, se tanto! Quando se sentiu capaz de soltar a voz, perguntou:
- Que bonequinhas são essas de branco por aqui?
- Ora, somos enfermeiras, cuidamos dos doentes como o senhor.
Lembrou-se então da vista turva, da cascavel e adormeceu pensando que nunca mais veria as pessoas normalmente.
Terminou o relato dizendo que ainda precisou de tempo para recuperar a visão. Ficou com alguma seqüela, enxerga menos, mas ainda trabalha a terra. No entanto, se depender dele, mandioca ninguém come! O mandiocal? Soltou as vacas para acabar com ele, mas acabou foi com uma de suas melhores leiteiras... picada por uma cascavel. Que desperdício! Ainda hoje chora a perda. Mas termina a narrativa, entusiasmado:
-Antes a vaca do que eu, né?
Apagão na Cachoeirinha
Apagão na Cachoeirinha
Rita Seda
Obstinação foi o lema desse dia. Um final de semana em que pretendíamos descansar da cidade, da internet, dos afazeres de casa... Combinado com antecedência e os dois, querendo muito, Ivon foi organizar o carro e eu, os apetrechos para levar. Voltando, foi logo me apressando: tá tudo pronto, já abasteci a Belina, calibrei os pneus. Vamos carregar o carro. Num instante, tudo pronto. Mas, esse tal mas!... um pneu não segurava o ar. Tinha algum defeito. Tenta daqui, tenta dali, tira a carga, pega o empoeirado estepe
- Que é isso no estepe? Um remendo e... ele está soltando. Ficou sem uso tempo demais...Não dá para procurar socorro agora.
.- Vamos no Palio? Passa que passa sacolas com roupas, comidas, congelados.
-Mas como as horas passam!Já é hora do almoço e eu estou com uma fome danada!
-Bem, vamos almoçar “Na Lenha” e de lá seguiremos.
Dia de formatura da ETE. A cidade pulula de formandos, pais, amigos, namorados, parentes. O restaurante está lotado. Pegar a comida foi fácil. Mas a garçonete nem ligou para nosso refri...
Ivon ficou uma arara. Chamou a moça, passou-lhe uma educada descompostura, se é que existe algo assim e foi dar queixa dela à gerência.
Tudo bem, não vamos desistir da chácara, embora chova sem parar!
Até aqui tudo foi festa...comparado ao que veio depois. Chegamos e o alarme ficou calado e apagado.
-Que será que aconteceu?
Entramos (em nossa chácara se entra pela cozinha) e ela estava repleta de maritacas, gritando feito colegiais saindo de férias e o chão, repleto de seus dejetos... Ivon se armou com uma vassoura e rodopiava tentava tirá-las de lá. Abri outra porta, tomei de um espanador de teto, daqueles de cabo comprido e fui ajudar. Conseguimos!!! Mas nos xingaram muitíssimo em sua linguagem estridente. Foi então que notamos a falta de energia total. Examinamos os fios _maritacas adoram comer as capas dos fios..._ nada de anormal.Ligar para saber notícia da energia? O telefone celular estava no seu posto, mas descarregado... E como recarregá-lo? Foi nesse ponto que Ivon notou que esquecera de trazer seus remédios de uso diário para o coração.
-Você vai buscá-los, mas eu ficarei limpando este chão. Vai precisar de muito detergente. Aproveita e liga para a CEMIG.
Ao voltar, a notícia dada pela atendente: não há previsão de restabelecimento de energia!
-Mas eu trouxe velas...
-Bem, eu já vi as orquídeas que queria ver, estão lindas, já limpei a sujeira das maritacas, acho bom ir embora para a cidade.
-Vamos fazer um café enquanto é dia?
-Na maquininha de capuchino? Sem eletricidade?
-Ufa! Tem razão... Faço no fogão. Vamos assar pão de queijo, pão de alho, esquentar um leitinho e depois a gente vai embora.
Café tomado, a casa se ilumina como por encanto.
-Apagou, outra vez...
-Estão de brincadeira, isto sim!
E era verdade. A energia voltou, (já eram seis horas...), fomos rezar o Ângelus diante da imagem de N.Sra. das Graças de sua gruta, e depois rezar o terço, sentados, cansados, mas felizes, pois vencemos UM DIA DAQUELES!
Rita Seda
Obstinação foi o lema desse dia. Um final de semana em que pretendíamos descansar da cidade, da internet, dos afazeres de casa... Combinado com antecedência e os dois, querendo muito, Ivon foi organizar o carro e eu, os apetrechos para levar. Voltando, foi logo me apressando: tá tudo pronto, já abasteci a Belina, calibrei os pneus. Vamos carregar o carro. Num instante, tudo pronto. Mas, esse tal mas!... um pneu não segurava o ar. Tinha algum defeito. Tenta daqui, tenta dali, tira a carga, pega o empoeirado estepe
- Que é isso no estepe? Um remendo e... ele está soltando. Ficou sem uso tempo demais...Não dá para procurar socorro agora.
.- Vamos no Palio? Passa que passa sacolas com roupas, comidas, congelados.
-Mas como as horas passam!Já é hora do almoço e eu estou com uma fome danada!
-Bem, vamos almoçar “Na Lenha” e de lá seguiremos.
Dia de formatura da ETE. A cidade pulula de formandos, pais, amigos, namorados, parentes. O restaurante está lotado. Pegar a comida foi fácil. Mas a garçonete nem ligou para nosso refri...
Ivon ficou uma arara. Chamou a moça, passou-lhe uma educada descompostura, se é que existe algo assim e foi dar queixa dela à gerência.
Tudo bem, não vamos desistir da chácara, embora chova sem parar!
Até aqui tudo foi festa...comparado ao que veio depois. Chegamos e o alarme ficou calado e apagado.
-Que será que aconteceu?
Entramos (em nossa chácara se entra pela cozinha) e ela estava repleta de maritacas, gritando feito colegiais saindo de férias e o chão, repleto de seus dejetos... Ivon se armou com uma vassoura e rodopiava tentava tirá-las de lá. Abri outra porta, tomei de um espanador de teto, daqueles de cabo comprido e fui ajudar. Conseguimos!!! Mas nos xingaram muitíssimo em sua linguagem estridente. Foi então que notamos a falta de energia total. Examinamos os fios _maritacas adoram comer as capas dos fios..._ nada de anormal.Ligar para saber notícia da energia? O telefone celular estava no seu posto, mas descarregado... E como recarregá-lo? Foi nesse ponto que Ivon notou que esquecera de trazer seus remédios de uso diário para o coração.
-Você vai buscá-los, mas eu ficarei limpando este chão. Vai precisar de muito detergente. Aproveita e liga para a CEMIG.
Ao voltar, a notícia dada pela atendente: não há previsão de restabelecimento de energia!
-Mas eu trouxe velas...
-Bem, eu já vi as orquídeas que queria ver, estão lindas, já limpei a sujeira das maritacas, acho bom ir embora para a cidade.
-Vamos fazer um café enquanto é dia?
-Na maquininha de capuchino? Sem eletricidade?
-Ufa! Tem razão... Faço no fogão. Vamos assar pão de queijo, pão de alho, esquentar um leitinho e depois a gente vai embora.
Café tomado, a casa se ilumina como por encanto.
-Apagou, outra vez...
-Estão de brincadeira, isto sim!
E era verdade. A energia voltou, (já eram seis horas...), fomos rezar o Ângelus diante da imagem de N.Sra. das Graças de sua gruta, e depois rezar o terço, sentados, cansados, mas felizes, pois vencemos UM DIA DAQUELES!
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