10 de março de 2010 | By: Rita Seda Pinto

Curtindo Assis no Ano Santo

Curtindo Assis



No chão que teus pés pisaram

está tudo como então:

mesmas casas, mesmas pedras

vales e montes.E ainda estão

o mesmo rio, o mesmo céu.



Ainda tem passarinhos

cortando os ares, cantando,

O arvoredo, as flores,

as janelas enfeitadas.



Tudo aqui respira paz.

Leva à paz.



Canta-se e dança-se

numa algazarra infantil.

Também entrei nessa dança

coisa igual eu nunca fiz....



Alegria e emoção

de ver, sentir, respirar

tua cidade de Assis!



Sinto plena tua presença

Francisco que eu amo tanto!

Perdoa se pouco rezo,

pois não o deixa meu pranto



Rita Seda Outubro do Ano Santo de 2000

Capela de Nossa Senhora das Graças (Luis e Leticia)

Planejada por Luis Henrique, sonhada pela Leticia e sempre visitada por muitos...
É um pedacinho do Céu. Bem no alto, de onde se enxergam várias cidades.
Foi inaugurada com Missa presidida pelo nosso Padre Kiko.
Dom Vaz celebrou nela no último dia 27 de novembro que viveu.
Boas lembranças... O sacrario tem na porta um "Cordeiro" de cerâmica feito por Rita Elisa, em Goias.
Nela rezamos, neste ano, de 2010, na terça feira de carnaval, dia da Sagrada Face, o último dia da novena:
Foi reconfortante para Lê, Ivon e eu.

Em um mercado persa

Em um mercado persa

Agosto. Manacá cheiroso
vestido de azul e branco
igual a Mãe de Jesus
é destaque no jardim.
Enlevada em seu perfume
flutuando volto ao passado,
misturando sons de piano
a quimeras que me levam
até um mercado persa...
Tudo é confuso e confunde!
Vende-se flor no mercado?
Tem manacá no piano?
As mãos tocam o manacá
ou o colhem no teclado?

Só sei que recebo flores
do mais marcante perfume
de mãos que magistralmente
executam num piano
e oferecem a mim,
“Em um Mercado persa!”
9 de fevereiro de 2010 | By: Rita Seda Pinto

Exames invasivos

Depois que passa é até divertido, a gente ri!!! Mas durante, ai,ai...

Exames invasivos


Rita Seda



A medicina teve um avanço grande nos últimos tempos.

Na minha vida acompanhei duas endoscopias em pessoas amadas. Uma, distante da outra, trinta anos. Notei que ela mudou o procedimento, teve, sim, pontos positivos, mas...Vamos ao mas!

Na primeira eu era a responsável pelo procedimento em meu irmão querido, o Pedrinho e estava sozinha, em São Paulo para o que desse e viesse. Eu tinha trinta anos menos. Mesmo com uma dose maior de coragem, tendo que inventar algumas mentiras ao irmão, para poupá-lo, foi um grande sofrimento para ele e para mim.

Submeteu-se ao exame em pé, sem anestesia, num consultório médico. Certamente com instrumento de maior dimensões do que os de hoje. Estava ao seu lado, segurando sua mão. Sua perna direita tremia e eu derramava lágrimas silenciosas. Ele e eu querendo ser fortes para não entristecer o outro. Eu chorava, sim, mas escondido. Bobagem, agora, também, eu chorei tanto! Chorar não é fraqueza nem vergonha. Chorar alivia o peso que se instala em nosso coração numa situação assim.

A endoscopia de agora foi no meu esposo. O pedido veio de véspera, à tarde, não havia tempo para pedir a companhia de um filho. Sozinha outra vez. Tive que pedir socorro ao meu fisioterapeuta, a pessoa mais próxima no momento mais difícil, o da execução. Só queria chorar, colocar para fora minha ansiedade. Ele foi superbacana comigo. Obrigada, Maurício!

Quando Ivon saiu da sala de exame e veio para a sala de recuperação, chegou ainda dormindo. Incrível que não tenham para esse fim uma sala decente. Numa pequeníssima sala, uma porta com saída para a rua, duas poltronas reclináveis e um sofá simples. Já havia um jovem dormindo a sono solto numa das poltronas. Colocaram Ivon na outra e levaram para o exame um idoso de aspecto bem simples, sem acompanhante. Reclinaram a poltrona para o Ivon dormir. Não só dormiu, como roncou e falou coisas desconexas. De correto ele perguntou ao médico se iam fazer bióxia, em casa, disse-me que não viu o médico!

Chegando à sala o idoso, colocaram-no sentado no sofá, desconfortável para seu sono. Que vontade de estende-lo no sofazinho! Dentro de meia hora chamei o táxi para trazer-nos para casa, pois o Ivon parecia acordado. O motorista, muito gentil, conduziu-o ao carro, sentou-o no banco da frente. Ivon apanhou uma bala de menta, desembrulhou-a e disse: Nada como uma balinha para refrescar a garganta! Dei um pulo de meu banco e tomei-lhe a bala, já sem papel e disse-lhe que não podia. Aceitou numa boa. Chegando em casa o motorista colocou-o na cama, ele ainda quis pagar, mas eu já havia pago. Já dormindo ele reclamou que a calça e cinta o incomodavam para dormir. Queria um short. Com sua ajuda tirei-lhe os sapatos, as meias, desabotoei a cinta, tirei-lhe a calça e coloquei o short. Quem estava dormindo, continuou. Deixei-o ali e fui cuidar de alguns afazeres. De vez em quando dava uma olhadinha... Levou umas três horas para acordar, mais e mal, e quando se viu sem calças, reclamou e não acreditou que me pedira para tirar. Da bala? Nem se lembrava, nem do rosto do médico, nem do que falou para este, nem quem o trouxe para casa. Tudo ficou num cantinho escondido da memória. Bem que eu tenho um medo enorme de anestesia...

Tomou uma canja e muito bem. Até repetiu o prato fundo!

Tentou levantar mas tornou a dormir profundamente.

Mais tarde acordou perfeitamente e foi para a Missa, no Santuário, onde eu já me encontrava. Deus seja louvado!

Minha queixa é que poderiam ter explicado bem claramente o procedimento e a reação do paciente. Já não estou em idade de ter essas surpresas...E providenciar um aposento decente onde os examinados pudessem ter algum conforto e privacidade.
11 de janeiro de 2010 | By: Rita Seda Pinto

adolescentes em férias...

Adolescentes em férias em tempos modernos

Janeiro de 2010



Passou o Natal. Foi excelente, mas nada permite que um dia dure mais que 24 horas. Assim, chegou dia 26 e o Natal deu lugar a outro dia. Veio a passagem do ano. Muita comemoração, abraços e beijos aos montões, mas também passou... Foi tudo muito legal, mas alguns da família voltaram ao trabalho, outros saíram de férias...ah, mas restaram os adolescentes!

Foi hora, então, de reviver a adolescência dos próprios filhos. Assemelham-se em alguns pontos com os pais! Mas diferem em outro tanto! Falam, gritam, riem, comem, fazem extravagâncias como seus pais, mas há uma grande diferença: o sono. Em outros tempos dormia-se de noite e de manhã todos saltavam da cama, tomavam um lanche reforçado e procuravam algo para fazer. passear, nadar, namorar,ler, jogar futebol ou vôlei, brincar conversar... Hoje é diferente: podem até acordar e sentar à mesa à hora do almoço, se tirados da cama à força, mas a maioria volta para a cama e dorme. Da tarde àté a manhã seguinte, o banho, o lanche, o CP, a TV, a guitarra, as conversas, o açaí, a casa. Fico perguntando a mim mesma: na capital ou cidade grande, a vida é assim, todos tem medo da rua, dos passeios ao ar livre. O costume tomou conta da cabecinha e do coração de todos os adolescentes?

Triste juventude presa dentro de casa, e pior, ainda, matando seu dia! Perdendo o nascer do sol, o ar puro de uma cidade interiorana, as belezas da natureza, os costumes e as alegrias de viver o DIA! Será que viraram corujas? Coruja é um animal noturno porque é essa a sua natureza. Eu sempre soube que as pessoas que são obrigadas a trocar o dia pela noite em função do trabalho custam a se adaptar e anseiam voltar a viver normalmente.. Disseram que é modismo. Que as aulas não deviam ser de manhã, pois, mesmo em aula, estão mais dormindo do que acordados, não entendem as aulas, perdem média e ficam irritados. Quem disse é adulto...

Sabem o que eu acho? Os costumes mudaram porque a tecnologia é menos vigiada à noite (os pais tem que dormir, passam o dia dando duro)! Os pais não põem limites. Não estão aí para brigar, discutir, sabem que saem sempre perdendo. Querem mais é viver sem estresse.O maior perdedor nesse caso são os filhos. Será que conseguirão reverter a situação e viver vida normal quando se tornarem adultos? Que futuro os aguarda? Pobres adolescentes que não tiveram limites para viver uma vida normal.