Blog de cronicas e poesias por Rita Seda Pinto.
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- Rita Seda Pinto
- Santa Rita do Sapucai, MG, Brazil
- Esposa, mãe, avó e bisavó. Sou muito família. Aprecio leitura e música. Gosto de ter amigos e conversar. Especialmente com Deus.
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Lição das Margaridas
Lição das Margaridas
Rita Seda
Vivo perseguindo novas plantas... Não precisam ser raras nem tão belas, minha curiosidade é aguçada sempre que conheço alguma. No ano passado plantei algumas mudas de margaridas brancas e outras amarelas, de árvore. Este ano já floresceram em maio e eu pude observá-las de perto. As brancas florescem em grandes cachos, nas pontas dos galhos, que chegam aos três metros. Muito perfumadas, atraem insetos simplesinhos, e lindas borboletas das mais variadas raças e cores. Fazem um animado baile em torno das margaridas, ao som, quem sabe, dos besouros, grilos e gafanhotos que também correram para lá! Além dos passarinhos, é claro!
Já as amarelas são maiores, se não fosse o tamanho do miolo, poderiam ser confundidas com girassóis. Diferem das brancas por não florirem em quantidade num mesmo galho. Caules mais finos desde o solo, na ponta, aquela flor dourada, duradoura. Não vi muitos insetos em seu redor. Nem perfume. E duram muito mais que as brancas...
Fiquei pensando: com as plantas muitas vezes acontece como em nossa sociedade. Variedade de aspectos, mas a mesma beleza vinda de Deus. Certamente as duas margaridas devem ter a sua utilidade, que eu até agora ignoro. Conosco, ouso dizer, que cada qual, independente de cor, raça, tamanho e atrativos, todos temos algum dom especial. O mais bacana, a meu ver, é o dom do amor, da solicitude, da acolhida uns aos outros, neste mundo tão egoísta em que vivemos. Nosso dever é imitar as margaridas brancas, que se desdobram em grandes cachos, proporcionando néctar e perfume aos insetos e beleza aos olhares humanos. Mas acho que em muitos momentos devemos ser iguais às amarelas, quietas, meditativas, ensinando-nos que a solidão não é castigo, é um meio de falar com Deus sem intervenção alheia... Pareceram-me monges, silenciosos, isolados uns dos outros, falando com o Altíssimo Bom Senhor, como aprenderam do Pobrezinho de Assis...
Cara amiga Cida
Cara amiga Cida
Eu já vi muitas coisas acontecerem por aí...
Já tive amigas casadas que saíram para fazer rápida viagem e quando voltaram, abrindo a porta de casa constataram que estavam viúvas.
Vi também amigas que sonhavam com o dia em que estariam viúvas para curtir a vida que nunca curtiram, pois eram surradas, não passavam de criadas, eram traídas em seu matrimônio, viviam praticamente escravizadas. Uma delas tinha um sonho: fazer mil leituras nas Missas. Após a partida de seu algoz, conseguiu (décadas de 70, 80...). Morreu feliz.
Vi uma, morrer de amor, por um esposo que a traiu, humilhou diante de seus dois filhos adolescentes e da amante. O coração, embora jovem, não resistiu!
Vi, também, casais que se amaram, respeitaram, e Deus os conservou em sua graça.
Mas hoje é dia de falar da dedicação, amor e respeito de um casal com quem convivi e a quem muito devo. Casal este que converteu-se num só ser, pelo próprio amor. Suave, simples, admirável. Deus os contemplou com três filhas maravilhosas e dois genros-filhos que fazem jus à família que os adotou. Difícil nos tempos de hoje ver uma família assim, cujas raízes estão plantadas em chão divino. Construiu sua casa em bases sólidas e deu frutos. Sua fronde abriga familiares e amigos com a mesma dedicação que abriga as filhas. A impressão é que o casal vivia preso um ao outro por invisíveis linhas de ouro puro, que maleável, dava-lhes liberdade para ir onde preciso fosse, mas um fluido de confiança-carinho-dependência perpassava entre os dois. Assim, aquele medo de que um dos dois sofresse pela ausência do outro nunca existiu entre eles, mesmo no momento crucial da separação, da qual ninguém escapa, estavam só os dois numa presença de amor,enlaçados, sem se tocarem! O melhor dele, o Amor, continua vivo em teu coração. Ele voou para mais alto, libertou-se, aliviou-se do processo doloroso em que vivia para alcançar a plenitude. Deus tornou-te responsável na vida conjugal por um ser humano, que por tanto afeto, continua vivendo...em ti!
Quem sempre caminhou nos passos de Jesus entrou inteiro, num ápice de segundo, para o Sagrado Coração de Jesus. Só resta agradecer a grande graça concedida a quem o amou, respeitou, foi seu braço forte e o viu partir para Aquele que tanto serviram juntos.
Não pode existir maior felicidade.
Amor...Paz... Serenidade... Exemplo para o mundo!
Amo e admiro tua família. Deus foi pródigo de dons para todos e cada um.
Beijos, Rita e Ivon
Doces reminiscências
Doces reminiscências
Rita Seda
Sabe quando, inesperadamente, você vê algo que foi importante em sua vida, não importa o tempo, que não saiu de sua memória e que lhe tira o fôlego, fazendo vibrar as cordas mais sensíveis de sua emoção?Aconteceu comigo, numa visita que fiz ao Seminário de Pouso Alegre. Em cima de uma mesa vi um melão incomum. Mais parece uma bexiga de mortadela. Dá para enganar quem não conhece... Há quanto tempo não via um! Aquela imagem comprida, gordinha e vermelha, alem do perfume inconfundível, levou-me ao passado. Era uma das plantações do meu pai. Lembro-me bem, uma planta trepadeira como um maracujá ou um chuchu, que, certa vez, subiu até o telhado do armazém da empresa de transportes dos meus irmãos, ali onde ficava a horta da minha mãe e a mangueira que foi cortada no dia do meu casamento... Essa mangueira marcou um dia muito feliz na minha vida. Os melões eram vistos de longe, esparramados sobre o telhado, seguros por talos grossos. Bela visão!Já que ganhei o melão vou tentar cultivar a espécie. Será tão gratificante para meus olhos como está sendo para minha alma. E dessa maneira meus filhos poderão perpetuar a espécie quando eu não estiver mais aqui... Poderão saborear sua polpa suculenta ou fazer delicioso doce rosado que tantas vezes devorei! Minha filosofia de vida é resguardar do esquecimento as coisas boas da vida. Eta melão gostoso!Transportou-me pelos meandros da memória a um passado tão gostoso quanto...
Carinho...para alguém muito especial!
Carinho
Rita Seda
Todos os netos são igualmente queridos, não há dúvida! Cada um tem sua peculiaridade, mas para a avó, todos têm o mesmo espaço no coração. A gente chora a mesma lágrima de saudade, canta a mesma cantiga quando sabe que algum está para chegar e quando chega, é aquele alvoroço gostoso. Claro que tem algumas diferenças. Principalmente ao se preparar um lanche ou uma refeição. Igualzinho acontece com os filhos. Enquanto ainda não nos atacou a famosa doença de nome alemão, a gente se lembra com carinho da preferência de cada um. E enquanto pode, vai fazendo, para o regalo deles e satisfação da gente. Escrevi tudo isso para ninguém dizer que eu tenho preferências!!! É que hoje, procurando algo, encontrei uma folha de papel escrita por uma neta. Parei com tudo e fui namorar aquela página de um caderno escolar, que mexeu profundamente com o meu interior. Ela era uma adolescente, hoje é casada, mora longe, tem um filhinho lindo, que mata de saudade a bisa... Tem um trecho em prosa e outro, em quadras. Acredito que, sem vê-lo ela nem se lembrará mais do que escreveu. Mas tudo o que ela quis dizer na oportunidade, era uma mistura de seriedade e romantismo, de sonho e ambição,decidida a fazer algo para alertar as humanidade quanto às péssimas condições de vida no planeta. Fico emocionada com suas idéias, e vou me lembrando de outras que ela não só escreveu, mas pôs em prática. Nessa mesma fase, a adolescência, vivendo-a de modo normal como todas as outras jovens, ótima estudante, querendo aprender de tudo, desde comidas japonesas a bijuterias, muito esperta para ajudar nos afazeres domésticos, coroinha na paróquia que freqüentava, queria influenciar a prefeitura a adotar a coleta seletiva do lixo. Morava em Varginha. Contatou as rádios, jornais, convocou os colegas, entrevistou o prefeito... A idéia era muito boa, mas naquele momento não se concretizou. Ficou em mim a lembrança de uma garota inteligente, audaciosa, com idéias avançadas e vontade de melhorar o planeta para que houvesse condições mais favoráveis de vida...
Estudou, trabalhou, ainda trabalha e é funcionária eficiente. Menina de valor, hoje mulher-mãe realizada, sem deixar de lado seu lado romântico e amoroso, que de tantos beijos no avô chegava a lambê-lo no rosto... A vida separa a gente das pessoas amadas. Temos hoje contatos tecnológicos que quebram o galho e a saudade! Mas uma folha de papel, escrita e esquecida numa gaveta, sem pretensão nenhuma, torna-se um veículo que comunica diretamente ao coração de uma avó, roído de saudade!
Quem advinha quem é?
Rita Seda
Todos os netos são igualmente queridos, não há dúvida! Cada um tem sua peculiaridade, mas para a avó, todos têm o mesmo espaço no coração. A gente chora a mesma lágrima de saudade, canta a mesma cantiga quando sabe que algum está para chegar e quando chega, é aquele alvoroço gostoso. Claro que tem algumas diferenças. Principalmente ao se preparar um lanche ou uma refeição. Igualzinho acontece com os filhos. Enquanto ainda não nos atacou a famosa doença de nome alemão, a gente se lembra com carinho da preferência de cada um. E enquanto pode, vai fazendo, para o regalo deles e satisfação da gente. Escrevi tudo isso para ninguém dizer que eu tenho preferências!!! É que hoje, procurando algo, encontrei uma folha de papel escrita por uma neta. Parei com tudo e fui namorar aquela página de um caderno escolar, que mexeu profundamente com o meu interior. Ela era uma adolescente, hoje é casada, mora longe, tem um filhinho lindo, que mata de saudade a bisa... Tem um trecho em prosa e outro, em quadras. Acredito que, sem vê-lo ela nem se lembrará mais do que escreveu. Mas tudo o que ela quis dizer na oportunidade, era uma mistura de seriedade e romantismo, de sonho e ambição,decidida a fazer algo para alertar as humanidade quanto às péssimas condições de vida no planeta. Fico emocionada com suas idéias, e vou me lembrando de outras que ela não só escreveu, mas pôs em prática. Nessa mesma fase, a adolescência, vivendo-a de modo normal como todas as outras jovens, ótima estudante, querendo aprender de tudo, desde comidas japonesas a bijuterias, muito esperta para ajudar nos afazeres domésticos, coroinha na paróquia que freqüentava, queria influenciar a prefeitura a adotar a coleta seletiva do lixo. Morava em Varginha. Contatou as rádios, jornais, convocou os colegas, entrevistou o prefeito... A idéia era muito boa, mas naquele momento não se concretizou. Ficou em mim a lembrança de uma garota inteligente, audaciosa, com idéias avançadas e vontade de melhorar o planeta para que houvesse condições mais favoráveis de vida...
Estudou, trabalhou, ainda trabalha e é funcionária eficiente. Menina de valor, hoje mulher-mãe realizada, sem deixar de lado seu lado romântico e amoroso, que de tantos beijos no avô chegava a lambê-lo no rosto... A vida separa a gente das pessoas amadas. Temos hoje contatos tecnológicos que quebram o galho e a saudade! Mas uma folha de papel, escrita e esquecida numa gaveta, sem pretensão nenhuma, torna-se um veículo que comunica diretamente ao coração de uma avó, roído de saudade!
Quem advinha quem é?
As propagandas em nossa vida
As propagandas em nossa vida
Rita Seda
Mesmo que não se dê muita atenção, a propaganda nos alcança em algum momento. Nas crianças e adolescentes, ainda em formação para distinguir verdades das ilusões, provoca grandes estragos. E não precisa ser tão explícita como aquela em que um rapaz, vendo passar um “carrão”, despeja gasolina no seu e o incendeia. Essa, em particular, tem respeito com a humanidade? Ensina algo? Na minha opinião ela anula o sentido da ética. As propagandas estão ficando cada vez mais agressivas e audaciosas. Como proibir que jovens adolescentes consumam bebidas alcoólicas, se as bebidas são mostradas como sonho de consumo, supra sumo, por assim dizer, e cada vez maiores? Tudo terminando em ão... E apresentando belas mulheres num claro apelo ao sexo. Quem vai querer beber pouco, então? E para quê bafômetro, se a propaganda faz o povo beber cada vez mais? E faz o teste quem quer? Camufladas nas novelas, faz-se propaganda de tudo. E se introduz modas e comportamentos. Quem pagar para sua criação aparecer na novela, seja em roupa, cabelo, esmalte, bijuteria, música, etc, é um novo rico na certa! O consumo é certo. Desse modo as roupas foram diminuindo de tamanho, na parte superior e inferior, e os pais não têm mais autoridade para evitar que as garotas não imitem os artistas. Estão à mostra nas vitrines, na TV, na Internet. Quem consegue impedi-las de bater o pé, fazer birra e acabar vencendo? Com a vida ausente dos pais, que trabalham justamente para que os filhos tenham uma vida “melhor”, acabam ganhando o que querem até sem muita exigência, afinal, a coleguinha já está usando!!!Minha filha não pode ficar para trás! E não podemos dizer que só acontece com o público feminino. Os rapazes estão soltos para fazer tatuagens, usar piercing e adotar penteado dos famosos jogadores de futebol, por mais estranhos que sejam. Se a tatuagem é tão inofensiva, como dizem alguns, porque o tatuado não pode doar sangue?Acabaram-se os limites em nossa sociedade? Ou eu estou muito careta? Graças a Deus, não! Ainda vejo muitos jovens estudando e se formando com seriedade. Conheci dias atrás um jovem de 15 anos, que sem ser um gênio, toca violino maravilhosamente, estudando três horas por dia e fazendo seu curso de segundo grau. Dá duro, mas tem expectativa de futuro. Sabe o que quer e se esforça para vencer. Pena que houve a inversão: outrora eram poucos os censuráveis, hoje, são poucos os elogiáveis...
Rita Seda
Mesmo que não se dê muita atenção, a propaganda nos alcança em algum momento. Nas crianças e adolescentes, ainda em formação para distinguir verdades das ilusões, provoca grandes estragos. E não precisa ser tão explícita como aquela em que um rapaz, vendo passar um “carrão”, despeja gasolina no seu e o incendeia. Essa, em particular, tem respeito com a humanidade? Ensina algo? Na minha opinião ela anula o sentido da ética. As propagandas estão ficando cada vez mais agressivas e audaciosas. Como proibir que jovens adolescentes consumam bebidas alcoólicas, se as bebidas são mostradas como sonho de consumo, supra sumo, por assim dizer, e cada vez maiores? Tudo terminando em ão... E apresentando belas mulheres num claro apelo ao sexo. Quem vai querer beber pouco, então? E para quê bafômetro, se a propaganda faz o povo beber cada vez mais? E faz o teste quem quer? Camufladas nas novelas, faz-se propaganda de tudo. E se introduz modas e comportamentos. Quem pagar para sua criação aparecer na novela, seja em roupa, cabelo, esmalte, bijuteria, música, etc, é um novo rico na certa! O consumo é certo. Desse modo as roupas foram diminuindo de tamanho, na parte superior e inferior, e os pais não têm mais autoridade para evitar que as garotas não imitem os artistas. Estão à mostra nas vitrines, na TV, na Internet. Quem consegue impedi-las de bater o pé, fazer birra e acabar vencendo? Com a vida ausente dos pais, que trabalham justamente para que os filhos tenham uma vida “melhor”, acabam ganhando o que querem até sem muita exigência, afinal, a coleguinha já está usando!!!Minha filha não pode ficar para trás! E não podemos dizer que só acontece com o público feminino. Os rapazes estão soltos para fazer tatuagens, usar piercing e adotar penteado dos famosos jogadores de futebol, por mais estranhos que sejam. Se a tatuagem é tão inofensiva, como dizem alguns, porque o tatuado não pode doar sangue?Acabaram-se os limites em nossa sociedade? Ou eu estou muito careta? Graças a Deus, não! Ainda vejo muitos jovens estudando e se formando com seriedade. Conheci dias atrás um jovem de 15 anos, que sem ser um gênio, toca violino maravilhosamente, estudando três horas por dia e fazendo seu curso de segundo grau. Dá duro, mas tem expectativa de futuro. Sabe o que quer e se esforça para vencer. Pena que houve a inversão: outrora eram poucos os censuráveis, hoje, são poucos os elogiáveis...
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