10 de março de 2010 | By: Rita Seda Pinto

Em um mercado persa

Em um mercado persa

Agosto. Manacá cheiroso
vestido de azul e branco
igual a Mãe de Jesus
é destaque no jardim.
Enlevada em seu perfume
flutuando volto ao passado,
misturando sons de piano
a quimeras que me levam
até um mercado persa...
Tudo é confuso e confunde!
Vende-se flor no mercado?
Tem manacá no piano?
As mãos tocam o manacá
ou o colhem no teclado?

Só sei que recebo flores
do mais marcante perfume
de mãos que magistralmente
executam num piano
e oferecem a mim,
“Em um Mercado persa!”
9 de fevereiro de 2010 | By: Rita Seda Pinto

Exames invasivos

Depois que passa é até divertido, a gente ri!!! Mas durante, ai,ai...

Exames invasivos


Rita Seda



A medicina teve um avanço grande nos últimos tempos.

Na minha vida acompanhei duas endoscopias em pessoas amadas. Uma, distante da outra, trinta anos. Notei que ela mudou o procedimento, teve, sim, pontos positivos, mas...Vamos ao mas!

Na primeira eu era a responsável pelo procedimento em meu irmão querido, o Pedrinho e estava sozinha, em São Paulo para o que desse e viesse. Eu tinha trinta anos menos. Mesmo com uma dose maior de coragem, tendo que inventar algumas mentiras ao irmão, para poupá-lo, foi um grande sofrimento para ele e para mim.

Submeteu-se ao exame em pé, sem anestesia, num consultório médico. Certamente com instrumento de maior dimensões do que os de hoje. Estava ao seu lado, segurando sua mão. Sua perna direita tremia e eu derramava lágrimas silenciosas. Ele e eu querendo ser fortes para não entristecer o outro. Eu chorava, sim, mas escondido. Bobagem, agora, também, eu chorei tanto! Chorar não é fraqueza nem vergonha. Chorar alivia o peso que se instala em nosso coração numa situação assim.

A endoscopia de agora foi no meu esposo. O pedido veio de véspera, à tarde, não havia tempo para pedir a companhia de um filho. Sozinha outra vez. Tive que pedir socorro ao meu fisioterapeuta, a pessoa mais próxima no momento mais difícil, o da execução. Só queria chorar, colocar para fora minha ansiedade. Ele foi superbacana comigo. Obrigada, Maurício!

Quando Ivon saiu da sala de exame e veio para a sala de recuperação, chegou ainda dormindo. Incrível que não tenham para esse fim uma sala decente. Numa pequeníssima sala, uma porta com saída para a rua, duas poltronas reclináveis e um sofá simples. Já havia um jovem dormindo a sono solto numa das poltronas. Colocaram Ivon na outra e levaram para o exame um idoso de aspecto bem simples, sem acompanhante. Reclinaram a poltrona para o Ivon dormir. Não só dormiu, como roncou e falou coisas desconexas. De correto ele perguntou ao médico se iam fazer bióxia, em casa, disse-me que não viu o médico!

Chegando à sala o idoso, colocaram-no sentado no sofá, desconfortável para seu sono. Que vontade de estende-lo no sofazinho! Dentro de meia hora chamei o táxi para trazer-nos para casa, pois o Ivon parecia acordado. O motorista, muito gentil, conduziu-o ao carro, sentou-o no banco da frente. Ivon apanhou uma bala de menta, desembrulhou-a e disse: Nada como uma balinha para refrescar a garganta! Dei um pulo de meu banco e tomei-lhe a bala, já sem papel e disse-lhe que não podia. Aceitou numa boa. Chegando em casa o motorista colocou-o na cama, ele ainda quis pagar, mas eu já havia pago. Já dormindo ele reclamou que a calça e cinta o incomodavam para dormir. Queria um short. Com sua ajuda tirei-lhe os sapatos, as meias, desabotoei a cinta, tirei-lhe a calça e coloquei o short. Quem estava dormindo, continuou. Deixei-o ali e fui cuidar de alguns afazeres. De vez em quando dava uma olhadinha... Levou umas três horas para acordar, mais e mal, e quando se viu sem calças, reclamou e não acreditou que me pedira para tirar. Da bala? Nem se lembrava, nem do rosto do médico, nem do que falou para este, nem quem o trouxe para casa. Tudo ficou num cantinho escondido da memória. Bem que eu tenho um medo enorme de anestesia...

Tomou uma canja e muito bem. Até repetiu o prato fundo!

Tentou levantar mas tornou a dormir profundamente.

Mais tarde acordou perfeitamente e foi para a Missa, no Santuário, onde eu já me encontrava. Deus seja louvado!

Minha queixa é que poderiam ter explicado bem claramente o procedimento e a reação do paciente. Já não estou em idade de ter essas surpresas...E providenciar um aposento decente onde os examinados pudessem ter algum conforto e privacidade.
11 de janeiro de 2010 | By: Rita Seda Pinto

adolescentes em férias...

Adolescentes em férias em tempos modernos

Janeiro de 2010



Passou o Natal. Foi excelente, mas nada permite que um dia dure mais que 24 horas. Assim, chegou dia 26 e o Natal deu lugar a outro dia. Veio a passagem do ano. Muita comemoração, abraços e beijos aos montões, mas também passou... Foi tudo muito legal, mas alguns da família voltaram ao trabalho, outros saíram de férias...ah, mas restaram os adolescentes!

Foi hora, então, de reviver a adolescência dos próprios filhos. Assemelham-se em alguns pontos com os pais! Mas diferem em outro tanto! Falam, gritam, riem, comem, fazem extravagâncias como seus pais, mas há uma grande diferença: o sono. Em outros tempos dormia-se de noite e de manhã todos saltavam da cama, tomavam um lanche reforçado e procuravam algo para fazer. passear, nadar, namorar,ler, jogar futebol ou vôlei, brincar conversar... Hoje é diferente: podem até acordar e sentar à mesa à hora do almoço, se tirados da cama à força, mas a maioria volta para a cama e dorme. Da tarde àté a manhã seguinte, o banho, o lanche, o CP, a TV, a guitarra, as conversas, o açaí, a casa. Fico perguntando a mim mesma: na capital ou cidade grande, a vida é assim, todos tem medo da rua, dos passeios ao ar livre. O costume tomou conta da cabecinha e do coração de todos os adolescentes?

Triste juventude presa dentro de casa, e pior, ainda, matando seu dia! Perdendo o nascer do sol, o ar puro de uma cidade interiorana, as belezas da natureza, os costumes e as alegrias de viver o DIA! Será que viraram corujas? Coruja é um animal noturno porque é essa a sua natureza. Eu sempre soube que as pessoas que são obrigadas a trocar o dia pela noite em função do trabalho custam a se adaptar e anseiam voltar a viver normalmente.. Disseram que é modismo. Que as aulas não deviam ser de manhã, pois, mesmo em aula, estão mais dormindo do que acordados, não entendem as aulas, perdem média e ficam irritados. Quem disse é adulto...

Sabem o que eu acho? Os costumes mudaram porque a tecnologia é menos vigiada à noite (os pais tem que dormir, passam o dia dando duro)! Os pais não põem limites. Não estão aí para brigar, discutir, sabem que saem sempre perdendo. Querem mais é viver sem estresse.O maior perdedor nesse caso são os filhos. Será que conseguirão reverter a situação e viver vida normal quando se tornarem adultos? Que futuro os aguarda? Pobres adolescentes que não tiveram limites para viver uma vida normal.
28 de dezembro de 2009 | By: Rita Seda Pinto

Natal da familia em 2009

Natal 2009


Rita Seda



A cada Natal amo mais ainda minha família. Se não fosse ela, o que seria da minha vida? Sem meu esposo, sempre solícito e atencioso, maestro exímio dos concertos familiares? Sem meus queridos filhos, genros, nora, netos, bisnetos, personificação do Menino de Belém?

Sem o bebê que ainda não sabemos nem o sexo, mas que veio do Recife no ventre da mãe, acompanhado do pai orgulhoso (no bom sentido), e que é o Jesus Cristinho deste ano?

Sem o alarido dos netos adolescentes e sua turma, a ternura da neta mais nova, que é só sorrisos?

E da bisneta de cabelos encaracolados, agarrada ao pescoço do pai careca, sempre risonho e que ganhou uma peruca do amigo secreto? Só que a peruca não adiantou nada: é de palhaço!!! Careca outra vez...

Presente maravilhoso ver filhos e netos dirigindo-se ao Santuário para celebrar com a Eucaristia, junto a padroeira, o Natal de Jesus.

Sem as brincadeiras do Ivon na Net e saber que até o Monsenhor José gostou de nos ver dançando alegres?

Isso é Natal! É ter uma imagem do Menino Jesus de 50 anos, encardida, faltando pés, nariz esfolado, mãozinhas estragadas, de tanto os filhos, e netos acariciar...e às vezes derrubar!Mas que é companheira de tantos anos... E ganhar outro, do mesmo tamanho, lindo, perfeito, de material moderno, por delicadeza de filho e nora.

É ver homens e mulheres correndo daqui pra lá e de lá pra cá para ajudar na preparação das iguarias e organização da casa. Pudera! Gente saindo pelo ladrão! Que delícia!

Só me lembro de ter acendido as lâmpadas da árvore de Natal para testar,quando as coloquei... Estão apagadas!!! E percebo, feliz: a luz emana do coração de cada um de nós. Que a fomos buscar na Eucaristia. Viva Jesus!
27 de dezembro de 2009 | By: Rita Seda Pinto